Retorno aos conselhos da Tradição Materna


Homilia do Pe. Françoá Costa, 29/08/21, Paróquia Senhor Bom Jesus -Ceilândia-DF

Textos bíblicos do 22 DTC: Dt 4,1-8; Sl 14; Tg 1,17-27; Mc 7,1-23


Entre as crianças que nasceram no século IV, uma se destacaria, Santo Agostinho: esse homem nasceu de uma família cuja mãe se chamava Mônica; seu pai, Patrício. Mônica era cristã católica fervorosa, seu pai era pagão. Quando Aurelio Augustino ainda estava era pequeno, sua mãe lhe contava as histórias de Abraão, de Moisés, da libertação do Egito, a vida de Cristo. Contudo, o pequeno se deixava influenciar mais pelo pai que pela mãe. Agostinho não se importava, portanto, com as histórias da mãe, considerando-as meras fábulas.


O pai queria para seu filho uma profissão que lhe dessa muita honra, glória e, principalmente, muito dinheiro. O menino foi educado, efetivamente, por mestres magníficos. Agostinho estudou bastante e, aos quase trinta anos, encontrou-se com a obra de Platão. Ao ler esse filósofo descobriu que no coração dele existia um amor enorme pela a verdade; mais ainda, viu também que a busca pela verdade de Platão tinha muito haver com o que sua mãezinha lhe havia ensinado quando ele era pequeno. As vezes acontece isso: as pessoas dão tantas voltas por aí, passam por tantas opiniões e acabam voltando para as histórias maternas.


A aventura intelectual fascinante de Santo Agostinho ficou registrada nas suas “Confissões”, a primeira autobiografia da história. Não é interessante que um homem que tem mais ou menos seus vinte e sete anos, despois de uma grande aventura intelectual, volte para os conselhos da mãe? Quantas voltas dá a vida!


Agostinho, em busca de sabedoria, começa a escutar, em Milão, o famoso bispo daquela cidade, Santo Ambrósio, o qual falava muito bem, era muito inteligente. O amor à verdade que havia em Agostinho aumentava cada vez mais e, consequentemente, crescia o amor à fé que sua mãe lhe havia ensinado: ele encontra-se voltando aos princípios.


Quis começar com essa pequena narração sobre santo Agostinho, que realmente foi umas das grandes glorias da igreja católica, porque, frequentemente, quando a gente que avançar muito na verdade, retornamos para os concelhos da mãe, para aquilo que a santa Mãe igreja nos aconselhou na catequese e através de nossos pais. Também nós, retornamos para a nossa Mãe em busca da verdade e da sabedoria, voltamos para o coração materno. A mãe não erra: “a igreja é a coluna e o sustentáculo, da verdade” (1Tm 3,15). Mais ainda: “guardai as tradições que nós vos ensinamos, seja oralmente, ou por escrito” (2Ts 2,15). Votem para aquilo que nós ensinamos, aquilo que sempre foi acreditado, para a orientação da Mãe. Mesmo se você se desviar, se você buscar a verdade, com um coração sincero, você vai voltar para os conselhos da Mãe, para a verdade materna, a da santa Mãe Igreja. Ela nos transmitiu a verdade, a fé, nos deu os meios da salvação eterna.

E umas das passagens que eu citei (2 Ts 2,15) afirma “guardai as tradições!” Não, porém, qualquer tradição, mas as da nossa Mãe. Hoje, em Mc 7, Jesus Cristo fala contra as tradições, porém o Apóstolo nos ensina que devemos guardar as tradições, tanto em 1 Cor 11, ao ensinar-nos sobre a Eucaristia, quanto em 1 Cor 15, ao transmitir-nos o mistério da Páscoa do Senhor. Portanto, Jesus Cristo não é contrário às Tradições, ele se opõe às tradições bobas: lavar prato da maneira certa, tomar banho ao chegar da feira, a maneira correta de viver determinada cultura, essas coisinhas meramente humanas. De fato, há coisinhas, que, às vezes, as pessoas dão muita importância em detrimento daquelas que verdadeiramente têm importância.


Vamos traduzir Mc 7, contra as tradições, para a nossa linguagem atual. Há pessoas que são assim tremendamente defensoras dos animais, e, no entanto, algumas dessas pessoas são as primeiras a defender o aborto, a matança de crianças; não se pode matar gatinhos e golfinhos, somente criancinhas. Essas pessoas dão importância à maneira certa de lavar pratos e vasilhas, mas não se importa com o que verdadeiramente mancham as pessoas: roubos, injustiças, adultérios, ladroagem.


Outras pessoas são grandes defensoras da natureza. Se você falar em cortar uma árvore, na cabeça delas toda a floresta amazônica já ficou desmatada e, no entanto, essas mesmas pessoas não entendem a liberdade dos outros e a criticam. Trata-se de pessoas que sabem a maneira certa de lavar copos e vasilhas, mas entendem muito pouco sobre o ser humano.


Efetivamente, os pecados modernos são: maltratar os animais, fazer algo contra as leis de trânsito, jogar lixo na rua, cortar árvores. Certamente, jamais afirmarei que seja bom não jogar lixo na rua ou maltratar os animais. Porém eu não gostaria que os cristãos, com o passar do tempo, valorizassem mais a maneira certa de lavar copos, pratos, essas coisas humanas, e não dessem mais importância ao mandamento de Deus, aos dez mandamentos da Lei de Deus.


As pessoas podem até se desviar para as malditas ideologias, ao retornarem, voltarão certamente para o colo da Mãe, a mesma que ignoraram, aquela que “a Igreja, a coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3,15). O que mancha o homem é aquilo que sai do coração do homem – roubos, imoralidades, abortos, e todas essas coisas – e o separa de Deus. Ao contrário, ir a 130 Km em uma estrada na qual se permite somente 110 Km nem é pecado venial, ainda, frequentemente, seja bom andar de acordo com os limites de velocidade estabelecidos. Criam-se pecados onde não há pecado, e, ao contrário, onde há pecados não se dá mais importância. A isso que nós chamamos de “perversão”: verter, virar ao contrário. Se não estivermos atentos, com o passar do tempo, poderíamos ter uma Igreja pervertida, que dê importância à ecologia, e coisas semelhante, mais do que à graça de Deus, à salvação eterna. Pessoalmente, não importo que vocês sejam pecadores, eu também sou, mas eu quero uma Igreja formada por pecadores arrependidos. Não desejo uma Igreja pervertida, mas uma Igreja arrependida, formada por pecadores pervertidos.


Os pecadores pervertidos são, aqueles que dizem que o bem é mal e que o mal é bem, que não dão importância ao que tem importância. Esses tais colocam as coisas de cabeça pra baixo, transtornam tudo. É tão bela uma Igreja formada por pecadores arrependidos. Entendo que não consigamos fazer tudo que Deus manda, contudo, tenhamos sempre a verdade de Deus em nossas mentes e corações, procuremos o sacramento da confissão e sejamos uma Igreja formada por pecadores verdadeiramente arrependidos. Uma igreja formada por pecadores pervertidos encontra-se ladeira abaixo rumo ao Inferno, uma Igreja formada por pecadores arrependidos está escada acima rumo a eternidade bem-aventurada com Deus.


Vejam bem: as coisas tendem a piorar, pois crescem as leis iníquas a cada momento; juízes, governadores, senadores uniram-se contra as leis divinas. Como eles se empenham nas leis iníquas, tudo isso vai ruir, pois não tem fundamento. Quando tudo isso for destruído, eu queria que existisse entre nós um lugar seguro, um oásis no meio desse deserto abandonado por Deus e pelos homens, um refúgio seguro para acolher a todos. Certamente, vamos acolhê-los na misericórdia de Deus, na Casa que é a Igreja, porém dizendo-lhes: “queridos pecadores, arrependam-se! Podem entrar no nosso oásis de salvação, nosso lugar de salvação, a Igreja, voltem para os conselhos da Mãe.


No dia em que os pobres pecadores deixarem a companhia de Satanás e o caminho do Inferno, quando eles procurarem a verdade de Deus, voltarão para a santa Mãe igreja, para o coração da Mãe. Ao retornarem, convertidos, darão importância ao que realmente tem importância, deixando as bagatelas que levam à perdição eterna. A mensagem da Igreja Católica é para a salvação das pessoas, é para isso que nós estamos aqui há dois mil anos: voltemos sempre aos conselhos de nossa Mãe Igreja, à verdadeira Tradição, ela é um refúgio seguro para nós. Efetivamente, na Igreja a palavra de Deus foi implantada e é aqui que ela dará frutos em cada de nós, como deu na alma de Santo Agostinho, glória da Igreja Católica. Que a Palavra de Deus dê abundantes frutos na sua alma, pois também você é uma glória da Igreja de Cristo.

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