IV - Liberdade na Caridade



Estudo bíblico sobre a Carta de São Paulo aos Gálatas


09/2021 - Paróquia Senhor Bom Jesus



IV - Liberdade na caridade


(Estudo de Gl 5,13-6,18)



27. Liberdade autêntica (Gl 5,13-14):

  • O que é a liberdade?

  • Liberdade escrava ou liberdade livre?

  • Diferença entre liberdade essencial e livre arbítrio.


28. Com a defesa da liberdade que São Paulo faz, parece que o crsitianismo é uma realidade fraca, pouco exigente, relaxada. Será assim? A resposta de Santo Tomás é a seguinte (S. Th. I-II, 107, 4 c):


“Em relação às obras virtuosas, para regular as quais foram dados os preceitos da lei, surge dupla dificuldade. — Uma, relativa às obras externas, que em si mesmas trazem uma certa dificuldade e onerosidade. E neste ponto a lei antiga será muito mais onerosa que a nova. Pois, com as suas múltiplas cerimônias, obrigava a mais atos externos que a lei nova. Esta, além dos preceitos da lei natural, poucas coisas acrescentou, com a doutrina de Cristo e dos Apóstolos. Embora muitos acréscimos se fizessem depois, por instituição dos santos padres. Mas ainda neste ponto, Agostinho diz, que não se deve perder de vista a moderação, para não se tornar onerosa a vida dos fiéis. Assim, referindo-se a certos, diz: Carregam com obras servis a própria religião nossa, que, com manifestíssimas e pouquíssimas cerimônias de sacrifícios, a misericórdia de Deus quis que fosse livre. De modo que é mais tolerável a condição dos judeus, sujeitos, a sacramentos legais e não a presunções humanas. A outra dificuldade versa sobre os atos virtuosos internos, como quando praticados pronta e agradavelmente. Ora, atacar essa dificuldade é a função da virtude. Pois, a prática desses atos, muito difícil para quem não possui a virtude, torna-se fácil para o virtuoso. E neste ponto os preceitos da lei nova são mais onerosos que os da antiga. Pois, aquela proíbe os movimentos internos da alma, que a lei antiga não proibia expressamente em todos os casos, embora o fizesse em certos, em que porém não se acrescentava nenhuma pena à proibição. Ora, o que a lei nova dispõe é dificílimo para quem é sem virtude. Pois, como diz o filósofo, é fácil fazer o que faz o justo; mas agir como ele age, deleitável e prontamente, é difícil para quem não tem justiça. E assim também diz a Escritura (1 Jo 5, 3): os seus mandamentos não são custosos; o que Agostinho explica: o que não é difícil para quem ama o é para quem não ama”.


28. Exemplo de ironia paulina: “Se vos mordeis e vos devorais reciprocamente, cuidado, não aconteça que vos elimineis uns aos outros” (Gl 5,14). Utilização da ironia de maneira pedagógica.


29. Oposição carne e espírito. Conduzir-se pela carne é continuar debaixo da Lei, na qual ainda não fora dado o Espírito. Porém, conduzir-se pelo Espírito significa que foi depositada uma Nova Lei em nós, a Lei do Evangelho (Gl 5,18).

  • Obras da Carne (Gl 5,19-21): “fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, feitiçaria, ódio, rixas, ciúmes, ira discussões, discórdia, divisões, invejas, bebedeiras, orgias”. Quinze obras carnais, e outras que existem, de todas as maneiras, “os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus”.

  • As nossas Bíblias já estão com dificuldade de traduzir as coisas literalmente. Vejam como traduz esse texto a Bíblia de Jerusalém e observe algumas palavras originais no grego e sua respectiva tradução. Quem não herdará o Reino de Deus? Não sem a esperança cristã, vejam a resposta de 1 Cor 6,9-11: “Nem os devassos (πορνοι = pornoi = imorais), nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os depravados (μαλακοι = malakoi = efeminados), nem as pessoas de costumes infames (αρσενοκοιται = arsenokoitai = homossexuais), nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os injuriosos herdarão o Reino de Deus. Eis o que vós fostes, ao menos alguns. Mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e pleo Espírito de nosso Deus”.

  • Batizados, temos uma nova estrutura e uma nova Lei habita em nossos membros, a do Evangelho. Dessa realidade nova surgem os frutos do Espírito (Gl 5,22-24): “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, autodomínio. Contra essas coisas não existe Lei. Pois os que são de Jesus Cristo crucificaram a carne com suas paixões e seus desejos”.

  • Viver segundo Espírito é a proposta de São Paulo aos Gálatas, em contraposição ao viver conforme a Lei (Gl 5,25-26). Contudo, o viver segundo o Espírito inclui preceitos: “Cada examine sua própria conduta” (Gl 6,4). Os “espirituais” (Gl 6,1) não pode ficar em uma “espiritualidade desencarnada”, sem obras, pois, devem praticar boas obras (Gl 6,6-10). Ler esse texto com vagar para descobrir que o Evangelho de Paulo não exclui as obras, pelo contrário, elas aparecem como “obras da fé”.


30. Um texto escrito por Paulo: “Vede com que letras grandes vos escrevo, de próprio punho” (Gl 6,11)


31. Concluindo esse assunto em três pontos:

  • Aqueles que se circuncidam, ou seja, fazem a marca na sua carne, o fazem para evitar perseguições por parte dos judeu-cristãos (irmãos convertidos ao cristianismo desde o judaísmo e que permanecem apegados às leis do antigo Israel), para se gloriarem de que estão impondo um parecer que dá glória a Deus, mas, na verdade, nem eles observam a Lei, vivem conforme a carne (Gl 6,11-13).

  • O Apóstolo Paulo se gloria na carne de Cristo, na cruz de Cristo, nas marcas na carne de Jesus. Desta maneira, o mundo está crucificado para ele e ele traz na sua carne as marcas dos sofrimentos de Jesus através dos sofrimentos que ele mesmo sofre na pregação do Evangelho, para que assim surja o novo Israel de Deus, não o da carne, mas o do Espírito, que vive a Lei Nova e realiza as obras da fé (Gl 6,14-18).

  • Um princípio paulino, que ele aplica a várias coisas: “Nem a circuncisão é alguma coisa, nem a incircuncisão, mas a nova criatura” (Gl 6,15). Ele já tinha dito isso antes: “Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28).

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