II - A tese principal de Paulo aos Gálatas: a justificação se dá pela fé, não pelas obras judaicas


Estudo bíblico sobre a Carta de São Paulo aos Gálatas


09/2021 - Paróquia Senhor Bom Jesus


II - A tese principal de Paulo: a justificação se dá pela fé, não pelas obras judaicas


(Estudo de Gl 3)


12. A justificação não é um processo exterior, mas interior e renova todo o ser humano. Isso é tão forte que o Apóstolo afirma que após a santificação recebida, “Fui crucificado junto com Cristo. Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim. Minha vida presente na carne, vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2,19-20).

  • O que é a justificação? É a santificação que o Espírito Santo produz em nós aplicando ao nosso ser os méritos salvadores de Jesus para que vivamos com ele a vida de ressuscitados; é uma renovação interior que acontece no cristão, pressuposta a fé, a qual também é graça de Deus. Na justificação ou santificação “graça santificante” ou “graça habitual” passa a fazer parte do nosso ser, na essência da nossa alma, e, a partir daí, irradia-se para as potência da nossa alma, inteligência e vontade, dando-nos assim as graças da fé, da esperança e da caridade, ao mesmo tempo que nos faz aptos para realizar ações meritórias, pressuposta sempre a graça de Deus.


13. Antes os olhos dos Gálatas “foram delineados os traços de Jesus Cristo crucificado” (Gl 3,1). Pregação, fé, batismo, crescimento na vida espiritual.


14. “Foi pelas obras da Lei que recebestes o Espírito ou pela adesão da à fé?” (Gl 3,2). Obras da Lei aparecem, na visão de São Paulo, como algo que não justifica o pecador nem confere o Espírito Santo.


  • Concílio de Jerusalém: At 15,8-11. Fazer a leitura do texto para ver a conexão entre Pedro e Paulo na questão da justificação.


  • Pelágio (350-423), contra os laxistas: pecado original não existe, a graça de Deus não é essencial para a salvação, o ser humano tem capacidade para decidir tudo pelo seu livre arbítrio. Contra Pelágio, Santo Agostinho e São Jerônimo. Valem as palavras aos Gálatas aplicando a Pelágio: “Sois tão insensatos que, tendo começado com o espírito agora acabais na carne? (Gl 3,3)


  • Lutero (1483-1546), contra os rigoristas: o homem está todo ele em pecado original, somente a graça de Cristo nos justifica sem colaboração dos homens e de suas obras, o livre arbítrio não existe (o arbítrio é escravo do pecado). Lutero tinha um grande mundo de angústias, uma preocupação pela expressão “justiça de Deus” entendida como “justiça legal”, uma exegese bíblica pouco profunda; junte-se a isso um terror frente à justiça de Deus, porque o homem está totalmente corrompido (pecado original corrompe o livre arbítrio, que se transforma em arbítrio escravo). Justiça de Deus é, para Lutero, a “aquela justiça pela qual Deus é justo e justifica o ímpio” (justiça forense, exterior, legal). Essa justiça, segundo o pai do protestantismo, se consegue mediante a fé somente.


  • Contra a tese luterana: que se opõe à justificação pela fé não são as obras boas, mas a confiança na Lei judaica com suas obras, o apoio no próprio homem e o consequente “desprezo” de Deus (Rm 3,19-20).


  • Contra Lutero: Concílio de Trento (1545-1563), na Sessão VI (23/01/1547), sobre a justificação. As principais afirmações desse texto tridentino são as seguintes:

a) O livre arbítrio, pelo pecado original, não foi extinto, por mais que tenha sido enfraquecido (c. 1);

b) É preciso renascer em Cristo para que alguém seja justificado (c. 3), ou seja, a justificação é efeito da graça (S. Tomás);

c) Os homens são preparados para a justificação (fé atual) e depois do sacramento do batismo recebem o dom da fé (virtude da fé), veja o c. VI;

d) Justificação não é somente a remissão dos pecados, mas também a santificação e a renovação interior, pela voluntária recepção da graça e dos dons, pela qual (justificação) o ser humano é convertido de injusto a justo, de pecador a santo (c. 7)

e) E para ficar mais claro: “Se alguém disser que o ímpio se justifica somente pela fé, de modo que se entenda não ser necessário mais nada a cooperar para a graça da justificação e que não se prepare de modo algum e se disponha pelo movimento de sua vontade, seja anátema” (can. 9).


15. A tese de São Paulo é precisamente esta: “Abraão creu em Deus e isto lhe foi levado em conta de justiça” (Gl 3,6). Entendamo-lo com calma: ler Gl 3,8-18.


16. Ficando claro que “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6), qual é o papel da Lei? Pedagogia, tutela da Lei (Gl 3,23-24).


17. A libertadora verdade da filiação divina (Gl 3,26-29)


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